Vencendo Etapas!

Passada a cirurgia, já voltei a ser a Linda de sempre, bom, em termos de recuperação e voltar a ganhar meu movimentos. Incrível como o próprio corpo indica que está evoluindo bem ou não. No início, jamais consideraria a opção de levantar um pouco os braços, afinal não existia hipótese, além de sentir dor, sentia que tudo ia abrir, mas cada dia ia sentindo que podia um pouco mais. Tomar banho sozinha é umas das melhores coisas que existem e queridos, desde que não seja no salão, muito difícil alguém levar o seu cabelo melhor que você mesmo. Isso tudo parece bobo, mas são uma soma de pequenas vitórias e, na verdade, ao nosso olhar e o dos médicos, são grandes vitórias. Já fui em festa, encontrei muitos amigos, já consigo ir para a faculdade e resolver, seja lá o que for, por horas andado pra lá e pra cá.

 

 

Sei que a vitória vem em etapas e esta semana passarei pela segunda e, se Deus quiser, última fase: QUIMIOTERAPIA!!
Decidimos junto aos médicos fazer 4 ciclos de quimio e, como vocês devem ter percebido, estou muito tranquila. No início estava apavorada com a ideia, mas a própria vida e Deus vão acomodando tudo, de forma que quando você menos percebe, sente que o medo foi embora e está pronta!

Além do mais, o tratamento vai ser mais leve que da outra vez. Farei essas sessões de quimioterapia “branca”. Todo mundo sabe que pra mim a “vermelha” foi mais intensa e onde os sintomas mais se fizeram evidentes, pois ela é muito forte.

Desta vez a quimio não será a parte mais importante como foi da outra vez. A cirurgia, onde foi retirado o tumor foi o que mais significou e acabou com a doença. Então, para que preciso de quimio? Para garantir!!

Prevenir é melhor que remediar, mas neste caso minha prevenção é o próprio remédio. O fato dela ser mais leve e os coquetéis anti-enjoos serem melhores que em outra época, o fato de que já esteja mais preparada, digamos assim, me deixa menos nervosa. Mas o melhor de tudo é que assim que tomar a primeira dose, em três meses tudo terá acabado e se Deus quiser, pra sempre!

A minha estrutura espiritual, minha família, amigos e, claro, meu marido, fazem tudo ficar mais agradável, mas o mais importante é você mesmo, sua própria fé!⁠⁠⁠⁠

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Obs: sempre consulte seu médico. As informações aqui passadas são exclusivamente referentes ao meu caso clínico

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Como lidar com a quimio branca?

Durante as 3 doses de quimio vermelhas, que foram angustiantes, ansiava pela chegada das brancas. Imaginava que seria um alívio parar de sentir aquele enjoo que se apegava em meu organismo e não me deixava em paz. Pelo menos, os sintomas seriam outros, diziam que eram dores pelo corpo que se assemelhavam aos sintomas de dengue. Tudo parecia melhor àquela sequência de vômitos.

Já contei pra vocês aqui que tive um susto quando chegou a vez de mudar de quimioterapia, o hospital estava com as “brancas” em falta e haviam muitos prontuários na espera. Mais uma vez fui ajudada pelo universo e no meu caso específico eu podia contar com outra opção, mas agora ao invés de 3 doses de 21 em 21 dias, faria 12 doses semanais.

Como vocês sabem reclamei muito no início. Fiquei decepcionada!

Minha veia ficaria dolorida demais e só de pensar em ir toda semana fazer o procedimento já me deixava triste. Fui tola e prontamente me reergui, entendi logo a sorte que tinha tido e agradeci pelo acesso ao tratamento.

Tudo o que acontece tem um porquê na vida e, claro, não podia esquecer que meu anjo da guarda não brinca em serviço. As novas doses foram o melhor que podia ter acontecido. Incrivelmente não sofri quase nada com os sintomas, eram muito leves, nada comparado ao que tinha passado.

No primeiro dia ficava um pouco abatida e cansada, mas nada de dores no corpo, o principal era a falta de paladar, não conseguia sentir sabores e isso dava um certo nervosinho, mas estava feliz da vida.

Certa vez, conversei com minha avó que morava em São Paulo e prometi que iria visitá-la. Não ver sua neta que estava com câncer, deixava ela muito preocupada e era complicado ela vir com seus 93 anos. Para aproveitar o máximo de dias possíveis, fiz a minha mala e levei para o hospital, depois da quimio iria direto para o aeroporto.

A viagem foi tranquila e rápida, fui recebida pelo meu primo e depois de muitos abraços fomos ao encontro da minha avó. Chegando em casa, vi seus cabelinhos brancos, seu sorriso de sempre no rosto, aquele abraço quentinho, aconchegante e cheio de amor que só uma avó sabe dar. Precisava deitar um pouco e descansar, recuperar as forças. Tinha sido ousada de viajar saindo da quimioterapia, mas depois de algumas horas de sono e repouso estava ótima. Lembro dela me ver tirando a peruca e pude sentir seu coração apertadinho, mas ela foi firme, era sua neta que estava ali e para ela nada tinha mudado. Passei uma semana linda junto aos meus tios, família sempre faz bem e tê-los comigo foi a energia que precisava para continuar.

quimio-branca_familia

Como lidar com a quimio branca? Sendo resiliente e sempre agradecida. Hoje só vejo vantagens e de alguma forma, sinto que mais uma vez aconteceu um toque divino em minha vida, onde percebendo que estava esgotada, me foi enviado esse novo tratamento que melhoraria os meus sintomas dolorosos. O melhor de tudo é que a eficácia era a mesma. Até agora me arrependo por num primeiro momento ter reclamado e ter sido mal agradecida. No momento não sabemos por que as coisas acontecem, o cenário pode parecer difícil e monstruoso, mas antes de mais nada, temos que lembrar que todas as coisas cooperam para o bem, daqueles que amam a VIDA!!

Um beijo ao céu para minha avózinha que hoje me abençoa lá de cima 🙏🏻

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Obs: qualquer ponto referente ao tratamento deve ser conversado e orientado pelo seu médico. Há muitas variáveis para cada caso e tipo de câncer.

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Sobre anjos!

Outubro se despede mas deixa um rastro rosa, deixa mais informação, esperança e cura.

Gostaria que que todos os meses fossem outubro, gostaria que a mensagem não deixasse de ser passada, gostaria de falar incansavelmente sobre isto e na medida que pudermos,será isso que faremos.

Nestes últimos 31 dias pude contar um pouco sobre mim às mais diversas pessoas. Conseguimos abrir nossa janela em empresas, faculdades, clínicas e o melhor de tudo, conseguimos que eles abrissem suas janelas.

Passamos por experiências maravilhosas e, de verdade, gostaria de ter um frasquinho real para despejar numa penseira real tudo aquilo que vivi nesse último mês. Queria que vocês vissem como é bom olhar para cada rosto, cada olhar compenetrado e às vezes, olhos marejados. Pessoas que sentiram a energia boa que a gente tenta passar.

Tivemos alguns desafios, por exemplo, falar para funcionários de uma centro de saúde oncológico, onde enfermeiros e outros colaboradores já convivem em sua rotina com pacientes com câncer. Minha história poderia parecer comum a eles. Como falar de prevenção se é um assunto que eles já dominam? Decidimos falar deles então!!

Explicamos como marcam nossa vida e, de repente, eles nem sabem. Contei sobre o porteiro do hospital que me tratei, de como ele nos recebia com alegria, da Érica, recepcionista da quimio que sempre me dava um abraço gostoso, da Arlene, enfermeira que sempre conseguia pegar minha veia “de jeito” enquanto fazia uma brincadeira ou outra, de como eu torcia secretamente para que fosse o turno dela nos dias de minhas sessões e de como falo dela até hoje.

Minha querida Arlene
Minha querida Arlene

Sempre que contar sobre essa parte da minha vida, eles estarão presentes. Sobre o Doutor Jorge, Doutor Augusto, Doutor Diogo e cada anjo que, de uma maneira ou outra, humanizou esse tratamento tão doloroso.

Eles tiveram um papel fundamental na minha recuperação, assim como na recuperação de tantos. Existem pacientes que são solitários e estes profissionais se tornam ainda mais importantes. Se tornam amigos, alicerces e deixam o caminho mais brando.

Sei que tocamos esses corações nessa palestra. Senti em cada abraço dado e no retorno que nos deram. Uma enfermeira, em especial, me marcou bastante. Ela foi nos cumprimentar e muito emocionada nos disse que trabalhava há mais de 20 anos com pacientes oncológicos e que tínhamos razão, mesmo não percebendo eles fazem parte de nossas vidas. Ela se sentia renovada e preferiu não falar mais nada, pois sua emoção ficava cada vez mais evidente.

No dia seguinte quando voltamos para falar com o outro plantão, enquanto estava lá na frente, fui reconhecendo pessoas do dia anterior. Quando acabamos, fizeram questão de nos cumprimentar e disseram que haviam gostado tanto que quiseram ouvir de novo.

Vocês fazem ideia de como isso enche nossos corações? De como a vida tem sido maravilhosa e de como estamos cada vez mais apaixonados por esse projeto!?

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Obrigada!! Obrigada!! Obrigada!!

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