A cirurgia – parte 1

Quando decidi tirar os dois seios, não sabia que o tumor era maligno, podia muito bem ser um cisto, mas eu já estava certa do que queria. Uma certeza grande dentro de mim se forma e sei que é o certo a fazer, obviamente que isto num momento seguinte foi conversado com o médico e ele apoiou minha decisão.

Com o resultado em mãos, mais claro estava para mim que precisava cortar o mal pela raiz. O doutor Diogo Franco, cirurgião plástico, colocaria os implantes e precisava agradecer por estar em ótimas mãos.

Na consulta ele me explicou que o implante no seio esquerdo (o saudável), seria simples de fazer, seria retirado o “recheio” e logo colocaria o silicone. O procedimento no seio direito seria diferente, ele já era menor, resultado da cirurgia de 5 anos atrás onde foi tirado o primeiro tumor e metade do seio (foi reconstruído e parecia um seio inteiro, mas não era 😮), sendo assim não haveria pele o suficiente para que ele ficasse do mesmo tamanho do outro. Além disso, já passou por radiação (radioterapia), então também não seria possível usar um expansor.

A solução seria um enxerto de pele que seria retirado das costas, especificamente daquela “gordurinha” que fica localizada próxima ao sutiã e o músculo daquela região, já que seria de suma importância para proteger a prótese e bombear sangue para a pele que teria que se “adaptar” ao seu novo local.

Topei tudo, obviamente, já que confio demais nos meus médicos e as mãos do cirurgião são mãos de artista. A delicadeza em como faz seu trabalho me deixa emocionada, a perfeição do resultado é impressionante e sublime.

 

Momentos antes da cirurgia

 

Operei na sexta-feira dia 28 de julho, numa cirurgia que demorou no total 8 horas. A equipe do mastologista entrou primeiro e logo após a cirurgia plástica. Meus familiares contam que estavam impacientes no quarto quando o doutor Augusto chegou para dar notícias, levantou os braços e comemorou! A parte dele estava feita e ao abrir o seio encontrou o tumor realmente localizado na parte inferior, essa era uma notícia incrível que deu novo fôlego à espera de todos. Agora só faltava a parte de reconstrução das mamas!!

Soube que enquanto as horas passavam a quantidade de ligações e mensagens para minha família, perguntando por mim ou desejando coisas boas, pessoas dizendo que estavam em oração, que haviam deixado meu nome nas igrejas/centros/templos e pediam incessantemente pela minha recuperação, foi emocionante. Nunca imaginei a mobilização que o amor nesse caso pode alcançar. Não imaginava que as pessoas me quisessem tão bem. O Caio, minha mãe, meu pai, tia, sogra e todos os meus, se sentiram amparados por vocês, eu inconsciente na sala de cirurgia devia estar recebendo toda essa luz, essa energia e milagres que todos nessa corrente maravilhosa me enviavam.

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Obs: sempre consulte seu médico. As informações aqui passadas são exclusivamente referentes ao meu caso clínico

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Agora casada!

Um dos meus grandes objetivos é deixar algum legado na Terra. Exemplos de bem. Casar sempre foi, para mim, um princípio de família, de união, respeito e amor ao próximo. O matrimônio é um dos momentos que você se pega amando um “estranho” e decidindo compartilhar toda sua vida com ele e, de verdade, não tem nada mais generoso do que isso.

O grande lance disso tudo e está tão intrínseco que mal nos damos conta é que é o maior exemplo de sociedade que vivemos. Aprendemos a ter regras, a ceder em prol do outro, a compartilhar, a administrar, a educar e outros inúmeros benefícios que sabiamente estão presentes, quase de maneira subliminar. Somos quase um Estado e ali, dentro de casa, se ganham muitos valores para continuar uma jornada a nível global, assim fazemos partes desse mundo. Assim formamos o mundo.

Concluo então que esse rito vai muito além da assinatura de um documento. É um ato sagrado!

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O ato de organizar o casamento me foi precioso, de luta, conquistas e nossa…como fui agraciada. Durante o processo, precisei fazer a primeira comunhão, que havia deixado de lado quando pequena. A catequese para adultos demora mais ou menos 1 ano. Não tinha esse tempo, o casamento estava próximo. Foi assim que começaram meu encontros, junto ao Caio, com Dom Bento (monge responsável pelos casamentos no São Bento) e logo de cara você percebe que a espiritualidade dele supera a humanidade. É um homem que passa luz e em cada palavra que diz sai vida. Isso tudo, fez com que estivéssemos envoltos num universo de bençãos, de paz e amor, antes mesmo do nosso sacramento. Falamos sobre Deus, sobre a grandiosidade do universo, sobre bondade e justiça. Tivemos a honra de sermos preparados e ungidos para dias depois, diante do altar e de nossos familiares, convidados e, claro, diante de Deus, prometermos nos amar e nos respeitar.

A cerimônia foi a coisa mais linda que já vi. O dia estava incrível, pessoas amadas vieram de longe, familiares que não se reuniam há anos, amigos…ah, eram poucos e bons!

Quando estava parada em cima da rosa dos ventos (que fica na entrada do Mosteiro), com meu pai ao meu lado (este foi o primeiro casamento que foi, logo o da sua filha), de braços dados, após uma oração de Dom Bento, minhas pernas ficaram bambas. Queria chorar, mas sabia que se começasse não conseguiria parar. As portas se abriram e pude ver a imensidão de amor que estamos rodeados, pude ver minha mãe, que é meu centro de força, minha família que com muito esforço fizeram de tudo pra estar ao meu lado (muitos moram no Chile, EUA e em outras regiões do Brasil), pude ver o amor da minha vida, com o seu sorriso característico, mas desta vez tinha algo mais, havia sonhos ali. Seus olhos brilhavam e enquanto me aproximava, por um segundo pensei que estava flutuando e que aquilo era um sonho.

Quando cheguei diante dele vi que tudo aquilo estava acontecendo mesmo, o nosso amor estava maior do que nunca e me senti muito especial por estar vivendo tanta graça. De ter tanta sorte!

A pequena recepção que preparamos ficou gigante com tanta animação, pessoas queridas e felicidade que estava naquele lugar. Foi lindo!!

Vamos reviver cada momento por muitos e muitos anos, até Caio e eu ficarmos bem velhinhos e já tivermos contado tudo para nossos filhos e netos. Quando mais uma missão nossa estiver cumprida e tenhamos conseguido deixar um exemplo como este para as nossas próximas gerações.

Com amor, muito amor!

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Como encurtar a distância!?

O que dizer dessa semana meus amores? Estamos numa correria pelo casamento que vocês nem imaginam. A família esta começando a chegar e me inspirei para falar um pouco deles e de todo o cenário que estou vivendo.

 

Há quase 5 anos, passamos pelo maior desafio de nossas vidas. Fomos testados. Naquela época não tivemos muitos familiares aqui, justamente pela distância. Basicamente passamos por tudo minha mãe, o Caio, sua mãe, meu pai e, lógico, eu. Fez falta tê-los por perto, mas a prova era nossa, o caminho teria que ser enfrentado por nós. Descobrimos a família em amigos e aprendemos a encurtar a distância com as ligações, orações que sei que foram abundantes e assim os que estavam longe se fizeram presente. Sempre há uma forma de levar esperança.

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O aprendizado foi grande e aprendemos todos. Ver o esforço de cada um para estar aqui presente neste momento tão especial de nossas vidas me fez perceber o quanto eles não querem que a distância “atrapalhe” de novo de estarmos juntos (fisicamente) em ciclos importantes um para o outro. Ouvi do meu tio, que chegou ontem, numa conversa que tinha com minha mãe, de como ele se sente culpado por não ter movido “mundos e fundos” para ter vindo na época da minha doença e que não estar aqui para meu casamento seria imperdoável (para ele mesmo). Agora valorizamos o quanto um abraço presencial pode ser importante, principalmente nestes períodos mais demarcados da vida.

Chegada do tio Dario

 


Como sou sempre dá opinião que Deus sabe o que faz mesmo a gente não entendendo, agora sei que nós (enquanto casal e até para minha mãe), que fomos mergulhados nessa água turva sem máscaras para respirar, que vivemos a flor da pele todo o processo nos seus altos e baixos, foi primordial para sermos pessoas diferentes, sei que precisávamos passar por isso “sozinhos”. Era essencial para nosso amadurecimento espiritual, para nossa fé alcançar outros padrões e para reconhecermos tantas outras coisas que hoje fazem toda diferença na nossa alma. Somo pessoas melhores, queremos ser pessoas melhores. Caio e eu temos algo especial e isso é indiscutível. Não, não sou modesta no meu relacionamento porque quando falamos de tesouros, temos que descrevê-los exatamente como são.

 

Espero que mais uma vez o universo me faça sorrir. Já esta fazendo, já estou agradecida.

 

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