Here we go again!

Depois de algumas semanas temos esse texto novinho, cheio de amor e contando tudo dessa segunda etapa de vida, sim, muita vida!

No início de julho, num sábado, entrei no banho e fiz um auto exame. Já havia se cumprido (em junho) os 5 anos e, teoricamente, agora as chances da doença voltar eram mínimas. Continuei tocando meus seios e lá, na mesma mama, quase no mesmo lugar onde o outro tumor estava tempos atrás, sinto uma parte endurecida e desconhecida. Digo isto, pois a mama direita já havia sido toda modificada por dentro e por fora, ela já era diferente e com muitas cicatrizes internas, mas eu me conheço, faço questão de entender cada pedacinho do meu corpo e isso sem dúvida nenhuma me fez reconhecer que embora muitas partes daquele seio fossem mais endurecidas, aquilo nunca esteve ali! As lágrimas no mesmo instante correram no meu rosto, misturando-se com as gotas do chuveiro. Tive tanto medo!

Saindo dali avisei ao Caio e fiz ele sentir, era muito menor do que aquele primeiro caroço, na verdade nem parecia um caroço. Isso nos fez ter esperança, afinal de contas não era possível, isso não aconteceria de novo. Liguei para o meu pai e contei que havia notado algo estranho, implorei que não fosse nada, como se ele pudesse decidir e simplesmente tirar aquilo dali. Ele é muito otimista e me tranquilizou, disse que não seria nada.

O Caio pediu pra que agendássemos logo uma consulta com doutor Augusto, meu mastologista. Mandei uma mensagem e combinamos de nos vermos já na segunda. No início daquela semana estava mais tranquila, tinha certeza que não passaria por isso de novo, não teria mais forças e Deus devia estar vendo que desta vez não aguentaria e me privaria dessa tormenta.

Lá estávamos nós, minha mãe, Caio e eu no consultório daquele homem que sempre foi um anjo e só o fato de vê-lo nos acalmava. Foi uma consulta leve e haviam várias possibilidades, uma delas que poderia ser um cisto, mas pela sua experiência e profissionalismo me mandou fazer uma bateria de exames naquela semana.

Já nos primeiros exames o nódulo não estava muito definido, parecia benigno, mas definitivamente não era um cisto. Teria que fazer uma biópsia.

Naquele momento tive um desespero que nunca tive antes, o medo que senti não o desejo a ninguém, a tristeza e impotência de não poder fazer fazer nada, caso estivesse doente de novo, me deram uma angústia sem fim. Chorei como nunca antes e ainda assim a dor não acabava. Liguei para muitos amigos e familiares aos prantos e implorei pra que eles me ajudassem, para que me livrassem daquilo. Rezei como nunca e expliquei a Deus que estava fraca, não era a mesma Linda que enfrentou tudo aquilo há 5 anos, era diferente, daquela vez passei por tudo sem saber como seria na prática. Agora sabia muito bem o que era uma cirurgia, sabia muito bem o que era uma quimioterapia, perder os cabelos, passar mal, radioterapia e sabia muito bem como o rosto das pessoas que amava ficava mais entristecido. Como aguentaria desta vez? Como um milagre o telefone tocou interrompendo minha oração, o doutor Augusto me tranquilizou e como um pai me pediu que não chorasse, que ele cuidaria de mim e ainda não sabíamos do que se tratava, que realmente parecia ser benigno e que se não fosse pelo meu histórico não estaríamos sequer pensando nisso.

Nesse exato momento, tinha tomado uma decisão: iria tirar os dois seios! Ainda que fosse benigno, não queria passar nunca mais por isso, por esse susto. Comentei com minha família e depois do resultado falaria com o médico.

O dia da biópsia chegou e ainda tínhamos que aguardar o resultado. A espera foi a pior parte! No fim de tarde de uma segunda-feira finalmente estava lá a resposta que não queríamos ouvir, que não esperávamos, que me nocauteou da forma mais traiçoeira. Passaríamos novamente pelo câncer de mama.

Fiquei triste, chateada, fiquei incrédula, fiquei com raiva, nossa fiquei com muita raiva!! Queria socar uma parede e gritar até ficar sem voz, queria sumir, desaparecer! Mas novamente com a cirurgia marcada para a semana seguinte, e com todos os exames que teria que fazer para termos certeza que o tumor não havia se espalhado (ainda tem mais essa!? 🙄) os exame pré operatórios e esperar pelos resultados, não sobrou muito tempo para pensar em muita coisa, liguei o modo automático e fui passando pelas etapas.

Outro dia conversando com o Caio expliquei um pouco sobre minha forma de enfrentar um problema: morro de medo quando vejo ele se aproximando, acho que, pelo fato de conseguir ver (de fora) o o problema inteiro, com toda sua cara feia e tamanho monstruoso, mas quando já estou passando por aquilo (e estou dentro), só consigo vencer todas as fases porque fico focada na saída, pois apesar de tudo, sempre consigo ver a saída e isso meus amigos é a maior benção que eu poderia ter. Isso é fé, isso é Deus me pegando no colo e mais uma vez digo a vocês: não são as minhas forças as que uso, não poderia ser, ainda mais agora que pareço mais fraca que da outra vez. São forças divinas 🙏🏻

 

 

Resultados dos exames prontos e tudo saiu bem! O tumor estava localizado somente ali e era pequeno 🙌🏻

Conversei com o médico e expliquei que queria fazer a Angelina Jolie e tirar os dois seios, embora o outro estivesse totalmente saudável. Ele me apoiou no mesmo instante. Chamamos o doutor Diogo Franco, cirurgião plástico que já havia cuidado de mim na cirurgia passada e estávamos prontos 💪🏻

Confesso que fiquei muito animada com a dupla mastectomia. A minha mama cria o tumor, por isso é mais fácil de tratar. O fato dele crescer e ficar praticamente no mesmo lugar significa que somente ali, sabe se lá o porquê, meu corpo não tem defesas para atacar alguma má formação de célula, por isso ele não se espalha pelo restante da mama e nem vai para o outro seio. O problema era ali e poder me livrar disso é um alívio!

Sobre o resto da história e a cirurgia, conto pra vocês no próximo texto 😉

Não estou aqui pra dar lição de moral para ninguém e não estou aqui para aceitar tudo o que acontece. Mas minha forma de não aceitar é lutando e vencendo, pois aí está uma coisa muito importante, o que está acontecendo agora não pode de maneira nenhuma excluir a vitória alcançada… eu já venci uma vez, já fui curada, já tiramos tudo de melhor daquele desafio. Esse aqui? É outro, parece ser mais leve, mas nem por isso não vou me armar de todas as minhas forças até achar a saída dele, afinal de contas, tenho a arma mais importante e tenho estoque: O AMOR 💕

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Obs: sempre consulte seu médico. As informações aqui passadas são exclusivamente referentes ao meu caso clínico

 

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Agora casado!

Eu e Linda acabamos de casar. Isso mesmo, no sábado celebramos nossa união e agora somos oficialmente marido e mulher. Foi incrível e muito especial para nós, certamente um evento que renderá ainda muitos conteúdos por aqui.

Porém, vou me ater a um ponto específico: o processo. Como assim?

Bom sempre que se planeja algo há um desenvolvimento desse projeto em várias etapas. As pessoas envolvidas imaginam a respeito, depois traçam plano e iniciativas, até chegar na execução daquilo que se tinha pensado. O casamento é particularmente interessante pois mexe com muitos pontos: amor, mudança na vida pessoal, sonhos, investimento e muitos outros. É algo que, normalmente, é concebido em 1 ano (às vezes até bem mais) para que toda a parte financeira, burocrática e dos serviços seja preparada.

O que quero ressaltar aqui é que é importante valorizarmos muito esse lado. Lógico que o dia do casamento é o ápice, é quando tudo aquilo é concretizado. Mas teve muito tempo até chegar ali e isso é muito especial.

Dom Bento, monge que fez nossa preparação e acompanhamento espiritual para o casamento, nos disse um dia antes de nos casar algo assim: “a vida é em sua maior parte feita de momentos ordinários, cotidianos. Especial é quando conseguimos enxergar o extraordinário que existe em cada um deles.”

Uma lágrima de tanto rir, uma sessão de quimio vencida, um jantar com a família, uma palavra amiga, um dia bonito de sol, uma noite bem dormida. Assim pode ser percebida a vida: pequenos grandes acontecimentos que se sucedem a toda hora.

Portanto, vamos percebe-los e agradecê-los, certamente após isso eles parecerão mais frequentes do que antes.

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Agora casada!

Um dos meus grandes objetivos é deixar algum legado na Terra. Exemplos de bem. Casar sempre foi, para mim, um princípio de família, de união, respeito e amor ao próximo. O matrimônio é um dos momentos que você se pega amando um “estranho” e decidindo compartilhar toda sua vida com ele e, de verdade, não tem nada mais generoso do que isso.

O grande lance disso tudo e está tão intrínseco que mal nos damos conta é que é o maior exemplo de sociedade que vivemos. Aprendemos a ter regras, a ceder em prol do outro, a compartilhar, a administrar, a educar e outros inúmeros benefícios que sabiamente estão presentes, quase de maneira subliminar. Somos quase um Estado e ali, dentro de casa, se ganham muitos valores para continuar uma jornada a nível global, assim fazemos partes desse mundo. Assim formamos o mundo.

Concluo então que esse rito vai muito além da assinatura de um documento. É um ato sagrado!

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O ato de organizar o casamento me foi precioso, de luta, conquistas e nossa…como fui agraciada. Durante o processo, precisei fazer a primeira comunhão, que havia deixado de lado quando pequena. A catequese para adultos demora mais ou menos 1 ano. Não tinha esse tempo, o casamento estava próximo. Foi assim que começaram meu encontros, junto ao Caio, com Dom Bento (monge responsável pelos casamentos no São Bento) e logo de cara você percebe que a espiritualidade dele supera a humanidade. É um homem que passa luz e em cada palavra que diz sai vida. Isso tudo, fez com que estivéssemos envoltos num universo de bençãos, de paz e amor, antes mesmo do nosso sacramento. Falamos sobre Deus, sobre a grandiosidade do universo, sobre bondade e justiça. Tivemos a honra de sermos preparados e ungidos para dias depois, diante do altar e de nossos familiares, convidados e, claro, diante de Deus, prometermos nos amar e nos respeitar.

A cerimônia foi a coisa mais linda que já vi. O dia estava incrível, pessoas amadas vieram de longe, familiares que não se reuniam há anos, amigos…ah, eram poucos e bons!

Quando estava parada em cima da rosa dos ventos (que fica na entrada do Mosteiro), com meu pai ao meu lado (este foi o primeiro casamento que foi, logo o da sua filha), de braços dados, após uma oração de Dom Bento, minhas pernas ficaram bambas. Queria chorar, mas sabia que se começasse não conseguiria parar. As portas se abriram e pude ver a imensidão de amor que estamos rodeados, pude ver minha mãe, que é meu centro de força, minha família que com muito esforço fizeram de tudo pra estar ao meu lado (muitos moram no Chile, EUA e em outras regiões do Brasil), pude ver o amor da minha vida, com o seu sorriso característico, mas desta vez tinha algo mais, havia sonhos ali. Seus olhos brilhavam e enquanto me aproximava, por um segundo pensei que estava flutuando e que aquilo era um sonho.

Quando cheguei diante dele vi que tudo aquilo estava acontecendo mesmo, o nosso amor estava maior do que nunca e me senti muito especial por estar vivendo tanta graça. De ter tanta sorte!

A pequena recepção que preparamos ficou gigante com tanta animação, pessoas queridas e felicidade que estava naquele lugar. Foi lindo!!

Vamos reviver cada momento por muitos e muitos anos, até Caio e eu ficarmos bem velhinhos e já tivermos contado tudo para nossos filhos e netos. Quando mais uma missão nossa estiver cumprida e tenhamos conseguido deixar um exemplo como este para as nossas próximas gerações.

Com amor, muito amor!

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