Sobre anjos!

Outubro se despede mas deixa um rastro rosa, deixa mais informação, esperança e cura.

Gostaria que que todos os meses fossem outubro, gostaria que a mensagem não deixasse de ser passada, gostaria de falar incansavelmente sobre isto e na medida que pudermos,será isso que faremos.

Nestes últimos 31 dias pude contar um pouco sobre mim às mais diversas pessoas. Conseguimos abrir nossa janela em empresas, faculdades, clínicas e o melhor de tudo, conseguimos que eles abrissem suas janelas.

Passamos por experiências maravilhosas e, de verdade, gostaria de ter um frasquinho real para despejar numa penseira real tudo aquilo que vivi nesse último mês. Queria que vocês vissem como é bom olhar para cada rosto, cada olhar compenetrado e às vezes, olhos marejados. Pessoas que sentiram a energia boa que a gente tenta passar.

Tivemos alguns desafios, por exemplo, falar para funcionários de uma centro de saúde oncológico, onde enfermeiros e outros colaboradores já convivem em sua rotina com pacientes com câncer. Minha história poderia parecer comum a eles. Como falar de prevenção se é um assunto que eles já dominam? Decidimos falar deles então!!

Explicamos como marcam nossa vida e, de repente, eles nem sabem. Contei sobre o porteiro do hospital que me tratei, de como ele nos recebia com alegria, da Érica, recepcionista da quimio que sempre me dava um abraço gostoso, da Arlene, enfermeira que sempre conseguia pegar minha veia “de jeito” enquanto fazia uma brincadeira ou outra, de como eu torcia secretamente para que fosse o turno dela nos dias de minhas sessões e de como falo dela até hoje.

Minha querida Arlene
Minha querida Arlene

Sempre que contar sobre essa parte da minha vida, eles estarão presentes. Sobre o Doutor Jorge, Doutor Augusto, Doutor Diogo e cada anjo que, de uma maneira ou outra, humanizou esse tratamento tão doloroso.

Eles tiveram um papel fundamental na minha recuperação, assim como na recuperação de tantos. Existem pacientes que são solitários e estes profissionais se tornam ainda mais importantes. Se tornam amigos, alicerces e deixam o caminho mais brando.

Sei que tocamos esses corações nessa palestra. Senti em cada abraço dado e no retorno que nos deram. Uma enfermeira, em especial, me marcou bastante. Ela foi nos cumprimentar e muito emocionada nos disse que trabalhava há mais de 20 anos com pacientes oncológicos e que tínhamos razão, mesmo não percebendo eles fazem parte de nossas vidas. Ela se sentia renovada e preferiu não falar mais nada, pois sua emoção ficava cada vez mais evidente.

No dia seguinte quando voltamos para falar com o outro plantão, enquanto estava lá na frente, fui reconhecendo pessoas do dia anterior. Quando acabamos, fizeram questão de nos cumprimentar e disseram que haviam gostado tanto que quiseram ouvir de novo.

Vocês fazem ideia de como isso enche nossos corações? De como a vida tem sido maravilhosa e de como estamos cada vez mais apaixonados por esse projeto!?

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Obrigada!! Obrigada!! Obrigada!!

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Um remédio chamado sorriso :)

Ser careca tem algumas curiosidades. Ah gente, vamos olhar o lado bom!

Primeiro fator positivo na minha lista, com certeza foi no banho. Poder sentir a água batendo no seu couro cabeludo é a melhor sensação. Sério!
Passava shampoo (isso mesmo) porque, apesar de não ter cabelo, precisamos higienizar a área. Poder deslizar meu dedos pela minha cabeça nua, sentindo cada gota vinda do chuveiro é maravilhoso.

Outra coisa que eu amava era todo mundo beijar minha carequinha e receber carinho nela. Acho que era involuntário, pois as pessoas sempre eram atraídas pela minha pele macia. Eu mesma, sempre deslizava minha mão por ela e não sentir aquele amontoado de cabelos entre esse contato, até que era bom.

Não lembro agora, mas uma vez li, em algum lugar, uma modelo declarando que em sua opinião, toda mulher deveria raspar o cabelo uma vez na vida, para descobrir como é. Sendo sincera, jamais teria essa ideia se não fosse a circustância que me encontrava, mas adquirir um pouco dessa praticidade que é rotina para muitos homens e algumas mulheres também adeptas de cabelo curto foi interessante.

 

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Linda, mas e os pelos do corpo, também caem? Cai tudo, se é que vocês me entendem 😉

Passei um ano, praticamente, sem precisar de depilação. Caso somente voltassem a crescer a sobrancelha, cílios e cabelo seria perfeito! rs

Hoje, quando vejo alguém de lenço na rua, me dá uma vontade enorme de ir lá e falar com a pessoa. Tenho que me segurar às vezes porque de algum modo acho que nos conhecemos. Na verdade isso faz sentido, pois temos tanto em comum que pra mim é como se fôssemos uma irmandade. Queria sair abraçando todo mundo e dizer que eu também passei por isso, que eu sei como é que é.

Nunca cheguei a fazer isso, claro, iam me achar louca, então me limito a fazer uma oração em silêncio pela cura desse desconhecido.

Muitas pessoas me acharam corajosa por ter colocado a minha primeira foto careca no texto anterior. De expôr aquele momento onde parecia tão frágil, onde a doença mostra “sua cara” e faz as pessoas te olharem e reconhecerem o câncer em você. Mas, por incrível que pareça, foi o momento que mais me senti forte e por isso quis dividir com vocês.

Não quero que pensem que tudo foram flores, como obviamente não foi. Chorei muito durante a quimio, ficava em pânico quando a próxima dose se aproximava, reclamava algumas vezes, fiquei impaciente com os meus familiares e amigos e em muitos momentos fui ríspida. Mas eu estava lá, estava lutando, não desistia e já que tudo aquilo estava vindo, queria enfrentar de uma vez por todas e batalhar nessa guerra. Descobri que minha principal arma para conseguir vencer, seria reconhecer as coisas boas (porque sempre tem algo de bom, não importa o cenário), agradecer por essas elas e sorrir.

Sorrir é um ótimo remédio 😀

smile

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O projeto

Outubro está sendo especial pra nós. Assim como planejado. Estamos há quase 4 meses com o projeto e é importante, de tempos em tempos, lembrarmos quais são nossos principais objetivos. Basicamente são esses:

  •  tratar dessa experiência da passagem de um câncer de mama de uma forma real, sem floreios, mas sempre com uma mensagem positiva, “pra cima!”
  •  apresentar diferentes pontos de vista, de quem passou e de quem está a volta, mostrando assim que a vitória é de todos e cada um pode se colocar como parte da solução. Independente da forma como ajuda.
  •  trazer como conteúdo principal a trajetória de alguém, a Linda no caso, que já superou tudo isso. E não agora, mas há 4 anos. Trazendo então uma inspiração de que a doença passa, a vida continua e desse período podem ser tiradas valiosas lições e muitas vezes fazer “do limão uma limonada”.
  • concluir que o ponto de vista sobre as situações é essencial, a forma como lidamos e como vemos o que está diante de nós

O formato inicial escolhido foi o de aliar o blog a palestras. Por que isso? O blog nos permite um alcance muito maior que nossa própria rede de contatos. Durante esse tempo nos deparamos já com histórias de pessoas antes desconhecidas e depoimentos de outros que se emocionaram e, eventualmente, algum post nosso até ajudou em determinado momento.

Só pra terem ideia da repercussão, nós tivemos acessos de 206 cidades em 26 países! E esse número aumenta cada vez mais. Sim, ficamos impressionados também!

Além do blog, quisemos preparar e nos disponibilizar a dar palestras sobre o tema. É uma outra forma de disseminar a mensagem que queremos e permite uma troca mais intensa, pessoal e de maior duração com o público. E isso tem sido extremamente gratificante.

1ª palestra Unicarioca
Palestra Unicarioca

Como descrevi em nossos objetivos, queremos sempre tratar dos fatos sem floreios. E não tem sido fácil conciliar nossos compromissos habituais, trabalhos, o próprio blog, com as palestras. Mas sabíamos disso, planejamos todo Outubro por saber do potencial que tinha e depois de cada apresentação ficamos muito felizes por saber que mais um passo foi dado. Houve situações em que as pessoas até se abriram perante os outros contando casos que aconteceram com próximos e alguns até mantiveram contato via redes sociais.

Cada elogio, cada novo convite, até cada crítica e comentário, nos dão incentivo para seguirmos em frente e nós escolhemos que não somente nosso outubro seria Rosa, mas nossa vida. Não pela cor, mas sim pela causa.

Palestra Total
Palestra Total

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