Exames de rotina, como lidar?

Vocês sabem que de seis em seis meses passo por consultas em duas especialidades: a mastologia e oncologia. Além disso, eles fazem pedido de alguns exames, uma espécie de “check up” que, geralmente, ocorrem uma vez por ano.

Nas consultas, me concentro em relatar TUDO, sério, TUDO MESMO, sobre o que acontece de normal e anormal no meu corpo desde o último encontro e por conta disto alguns exames podem ser solicitados, fora os já habituais.

Quando a bateria destes exames começam, ficamos um pouco ansiosos. Mexe com nossas lembranças, mas principalmente rola lá no fundo, um medinho de alguma coisa aparecer de novo. Até os resultados saírem, sempre ficamos apreensivos. Fora esse fator emocional, que para mim é mais tranquilo do que para os meus familiares, preciso lidar com os exames em si.
Alguns procedimentos, não são muito fáceis. Por exemplo, quando precisam usar minha veia 😱

O que acontece é que não podem usar meu braço direito, que foi o lado da mama operada, pois como tiraram um linfonodo da axila (conto mais detalhes depois, num próximo texto), a drenagem do braço não é a mesma. Aí, tudo é aplicado no braço esquerdo, assim como todas as quimioterapias foram e por conta disto minha veia ficou endurecida.

Já estou acostumada que as enfermeiras tenham dificuldade de colocar o acesso, mas vou contar aqui sobre minha última rotina de exames em particular sobre a ressonância magnética.

Agendei o exame para uma sexta-feira e fui acompanhada do Caio, já que minha mãe não pôde pelo trabalho. Levantamos cedo, eu em jejum e fui até animada, porque ia tirar foto e fazer um texto sobre isso. Queria falar que isso faz parte e de como lido bem na maioria das vezes, enfim.

 

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Já preparada para o exame…

Fui para uma sala privada e o Caio ficou na sala de espera. Quando a enfermeira chegou com o material descartável, avisei sobre a quimio, que se possível chamasse uma especialista de veia, pois sabia que era um pouco complicado. Ela quis continuar mesmo assim e senti mais dor de que o normal, mas me avisou que tinha conseguido. Em pouco minutos vi que havia sangue vazando e avisei a ela imediatamente.

Depois de verificar, disse que era normal e estava tudo certo. Comecei a ficar com muita dor e o fato de ver tanto sangue escorrendo, me fizeram ficar com vontade de chorar. Me segurei enquanto ela me colocava dentro do aparelho, mas podia sentir o nó dentro da minha garganta.

Quando estava quase iniciando, senti as gotas escorrendo pelo meu braço e ela se deu conta que aquilo não podia ser normal. Me retirou da cama e me levou de novo para aquela sala. Tirou o acesso e tentou “pegar” outra veia, que estourou imediatamente. Nisso o nó na minha garganta aumentava e me permiti chorar.

Chorei de soluçar enquanto a veia estourava. Chorei porque lembrei do que passei e achava invasivo tudo aquilo. A enfermeira assustada chamou o Caio, que ficou espantado em me ver naquele estado. Contei tudo entre um soluço e outro. Não conseguia parar.

Dentro de alguns instantes chegou uma segunda enfermeira, que carinhosamente limpou meu braço e gentilmente tentou colocar o acesso num lugar diferente. Outra veia estourada. Ela parou imediatamente e pediu para voltar no dia seguinte. Disse que não podia tentar mais, pois compreendeu meu estado e minhas veias estavam muito machucadas.

Saí dali bem abalada e com algumas recomendações para tratar a veia até o dia seguinte. Me sentia mal, mas fui trabalhar mesmo assim. Quando cheguei no escritório, logo todos os meus colegas me perguntaram como havia sido o exame. Quando comecei a contar e as primeiras palavras saíram, também senti as lágrimas escorrendo no meu rosto.

Nesse momento, todos do “open space”, um dos ambientes da empresa, levantaram e meu deram um abraço coletivo. Me senti tão acolhida!

A copeira logo trouxe uma bolsa de gelo e meus amigos deixaram um dos meus curativos mais alegres. Assim fui cuidada o dia todo e no dia seguinte fui com um pouco de medo, mas fui. Levantei pronta para enfrentar aquilo e estava de novo acompanhado pelo amor da minha vida.

Logo quando chegamos fomos recebidos pela segunda enfermeira do dia anterior e por uma especialista de veia. Ela achou uma veia no meu dedo polegar. Foi rápido, simples e indolor. Consegui fazer o exame e o dia anterior havia ficado para trás como um pesadelo.

Esqueci dele até agora, pois minha intenção aqui não é mostrar que sou a Mulher Maravilha e que sou forte sempre, quero mostrar para vocês que nem sempre as coisas saem como imaginávamos. O importante de tudo é que sempre a gente vá lá e enfrente.

A coragem não é “não ter medo”, mas ser maior que ele!!

 

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Um curativo mais alegre 😉

 

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Sobre Fé

Há muitos anos fui membro de uma Igreja no Rio de Janeiro. Lá aprendi a cuidar da minha alma, aprendi a rezar e a falar com Deus. Tive experiências maravilhosas na minha espiritualidade e tenho até hoje.

Com toda propriedade, posso afirmar que ali tive a base para usar a minha fé. Acreditar em algo, sem deixar nenhum pingo de dúvida contaminar aquele “querer” intenso. Aprendi também que a fé sem obras é morta. Nada vai cair do céu. Preciso crer e somado a isso, “correr atrás” (ou na frente 😉) daquilo que almejo.

Ter suas preces atendidas e poder ver seu sonho ou desejo se realizando é umas das sensações mais maravilhosas que existe. Durante o meu processo de cura, recebia tantas respostas que era emocionante. Podia estar doente, mas me sentia tão amparada, tão amada num plano divino que só posso agradecer por ter me sentido especial o tempo todo.

Existem muitas maneiras de exercitar a sua crença. Minha tia Ana, devota de Aparecida fez um voto vitalício, onde prometeu ir até a catedral uma vez por ano, a fim de agradecer por minha cura.

Minha mãe, um mês depois que tinha recebido alta, foi sozinha e não avisou a ninguém, na Igreja da Penha, aqui no Rio de Janeiro. Sim, ela subiu as escadarias de joelhos (são 359 degraus) e com preces agradecia por sua filha estar viva.

Igreja da Penha
Igreja da Penha

Lembro como se fosse hoje, seus joelhos avermelhados e machucados, mas com sua fé renovada e em paz. Meu pai sempre pedia incessantemente por mim. Era incansável em orar por minha saúde. O meu amor, meu Caio, dizia que não tinha coragem de pedir nada. Ele só agradecia. Sempre soube reconhecer quando uma benção chegava e, por isso, sua fé estava implícita, era inerente a ele e, então, agradecer o tempo todo ao universo era sua forma de acreditar que mais bênçãos viriam. Até finalmente ele me ver salva do câncer.

Muitas vezes quando obtemos a graça pedida, não nos lembramos de continuar acreditando e principalmente, não nos lembramos de agradecer. Agradeça até mesmo por conseguir ter fé, pois é difícil tê-la nas situações adversas.

Costumo dizer que devo minha cura aos médicos, pois sem sua competência e dedicação não haveria solução; a Deus (pois eu acredito Nele), aos anjos, ao universo e a tantas pessoas que pediam por mim e faziam seus votos em prol da minha recuperação.

Foram tantos pedindo e intercedendo por mim que fizeram essa grande bênção acontecer na minha vida.

Obrigada por me amarem, obrigada por torcerem por mim, obrigada por todo o apoio que me deram, pela força que injetaram nesse momento tão turbulento. Obrigada por terem acreditado!!

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Logo eu

Em vários momentos o Facebook é tomado por alguma, às vezes várias ondas simultâneas de conteúdo.

Uma das recentes (afinal, pode estar surgindo outra agora) é essa do “logo eu”. Frases que conectem com essa expressão, algumas sérias, mas a maioria irônica e com boa dose de humor.

Nós entramos nessa e semana passada fizemos o post no Instagram a respeito. Aliás, você não segue nosso insta ainda? Aproveita agora! É @umalindajanela . Passando a propaganda, rs, vamos voltar ao assunto: o post dizia “Acharam que eu era fraca, logo eu que venci o câncer”.

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E muitas vezes é assim, né? A gente tira uma força que não sabe que existia ou que os outros não enxergavam.

Sempre que somos expostos a situações limite ou ficamos diante de um grande desafio, somos testados. Podemos ficar paralisados, nos amedrontar, mas o que ocorre muitas vezes é que reagimos e vamos além do que nós mesmos acreditávamos, fato que acaba até por nos surpreender.

A questão é que sim, somos maiores e mais potentes do que o dia a dia nos apresenta. Testar e exercitar essas habilidades é possível e até recomendável. Afinal, se eu quiser aprender a tocar violino hoje, será que não posso? Se meu inglês não for fluente, algo me impede de mudar esse cenário? Caso eu sempre quisesse saber programação, não existem várias possibilidade de absorver esse conhecimento e colocar em prática?

Aprenda algo novo, pratique um novo hábito. Teste realizar algo que se considera complexo e entenda que seu potencial vai além do que nosso cotidiano nos apresenta.

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