Não culpe a janela pela paisagem por Laís Vargas

Olá! Meu nome é Laís, trabalho com o Barreto (não consigo chamá-lo de Caio, superem) e conheci a Linda há pouco mais de três anos. Não lembro exatamente quando soube do câncer – se não me engano foi em 2014 – mas recordo o que pensei naquele momento: “ela é especial, o Barreto tem muita sorte”, apenas isso. E hoje estou aqui para contar uma experiência difícil que enfrentei.

Em 2010 meu melhor amigo faleceu. Aos 24 anos, ele nos deixou vítima de uma doença devastadora como o câncer: AIDS. Foi um dos momentos mais difíceis da minha vida. Não conseguia trabalhar bem, atrasei boa parte da minha monografia e fiquei meses sem dormir 8h por dia. Até hoje me pego chorando embaixo do chuveiro sentindo sua falta (e o mesmo acontece enquanto escrevo esse texto).

Segundo a Organização Mundial da Saúde, existem 40 milhões de pessoas infectadas com o vírus HIV e, ao contrário do câncer, a AIDS não tem cura. E essa não é a única diferença entre as duas doenças. Minha mãe é psicanalista e trabalhou em um hospital na Tijuca, onde oferecia assistência psicológica aos familiares com pacientes em fase terminal por conta do câncer e da AIDS. Segundo ela, as famílias com casos de câncer recebiam inúmeras visitas e todos falavam abertamente sobre a doença, ao contrário do HIV, no qual muitos familiares não tinham conhecimento do real motivo pelo qual aquele parente estava ali.

O relato da minha mãe fez com que eu refletisse sobre o fato do meu amigo ter sofrido em silêncio. Uma sociedade que está preparada para criticar e apontar o dedo ao invés de estender a mão e ajudar.

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Quando o Barreto comentou comigo sobre Uma Linda Janela, antes mesmo de seu lançamento, voltei a 2010 em poucos segundos. De acordo com o Ministério da Saúde, a AIDS e alguns tipos de câncer estão entre as 20 doenças que mais matam no Brasil. E se naquele ano existisse uma cura? E se existisse um projeto tão lindo como esse? Será que teria ajudado o meu melhor amigo a entender que muitos passam pela mesma situação e que é possível enfrentar adversidades compartilhando suas experiências?

Uma Linda Janela não é sobre câncer. É um projeto sobre suporte, afeto, experiência, cumplicidade, esperança. Ler os textos do Barreto e da Linda faz com que eu reflita sobre cada uma dessas palavras e veja o outro lado, um lado que vai muito além da doença, das dificuldades e dos devaneios. Nunca vivi de maneira “Pollyanna lifestyle” – que enxerga apenas a metade cheia do copo – mas a história dos dois sempre me faz lembrar que tudo que enfrentamos tem uma razão maior, um aprendizado e a missão de seguir adiante.

O Barreto e a Linda estão espalhando o amor através de uma janela. Você já espalhou um pouquinho de amor na sua janela hoje?

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A Pluralidade Feminina – por Tatiane Cardozo

Hello,

Sou a Tatiane, sou amiga da Linda e ela me chamou pra falar um pouco sobre as mulheres neste dia.

Obrigada lindeza, adorei a ideia!

O conceito que esteve muito tempo enraizado na sociedade sobre a mulher, não existe mais. A visão de fragilidade e dependência, ficaram no passado.

A luta feminina permitiu uma nova concepção sobre suas capacidades, estamos em um processo de sermos entendidas e nos entendermos por nossa  força e luta, conquistamos a livre escolha e liberdade. É um processo contínuo e a mudança é lenta, mas ver o que já foi conseguido estimula a luta do que ainda temos a conquistar.

Fazemos parte das escolhas que definem nossa sociedade, não temos limitações no que vamos seguir como carreira acadêmica, melhor ainda, podemos ter uma carreira acadêmica. Não é lindo?

 

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Acredito que é um alívio estar na posição de escolher o que me faz bem e está tudo bem, se eu quiser ser dona de casa, tudo bem, se eu quiser ser astronauta, também! O importante é isso ser uma escolha nossa!

Somos mulheres, podemos ser tudo o que quisermos, temos a liberdade de perseguir nossos sonhos e ter como resultado disso, realização pessoal e felicidade. Não tem nada melhor do que ser feliz, fazer tudo com amor, isso gera um bem incrível pro mundo.

Podemos ver, por exemplo, na Linda, que é uma mulher incrível, um exemplo de força, de bom humor, de resiliência e tudo isso com uma leveza impressionante, distribuindo amor. Acredito que quem convive veja e sinta a quantidade de amor que ela tem e que contagia todo esse mundo dela!

Feliz dias das mulheres pra todas vocês e o mais importante vamos nos respeitar como humanos, de igual para igual, sempre.

 

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Seja feliz 🙂

 

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Escolher ser forte por Clara Barros

Era aniversário do meu marido, quando a Linda chegou na festa com o cabelo diferente e eu comentei que tinha adorado o novo corte. Ela então me chamou num canto e, com um aquele sorriso lindo no rosto, falou: “é uma peruca”. Três segundos de choque… e Linda, com muita serenidade me contou cada detalhe.

Eu já sabia que o que eu passei fisicamente nem chegava perto do que a Linda estava enfrentando. Mesmo assim, quis contar a minha experiência a ela. Porque sempre acreditei que, quando temos exemplos positivos próximos e compartilhamos experiências como essa, as energias e esperanças se renovam.

Alguns anos antes daquele encontro, ansiosa como sempre fui, abri sozinha o resultado do exame: uma punção da tireoide. Estava chegando em casa e não entendi o que significava “carcinoma papilífero”, então liguei para uma prima. Quando eu ouvi que se tratava um tumor maligno, um câncer, as lágrimas nem escorreram, simplesmente pularam dos meus olhos.

Cinco minutos depois, o meu pai chegava com minha mãe recém operada e super sensível. Eu não tinha como contar para eles naquelas circunstâncias. Então, naquele segundo, eu escolhi SER FORTE e inventar uma desculpa para as lágrimas.

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Fui trabalhar. Entrei no piloto automático. Fiquei cinco dias sem contar nada para meus pais, enquanto providenciava tudo com minha madrinha. Queria resolver aquilo logo, “amanhã”, mas não via como ficarmos eu e minha mãe operadas em casa. O médico explicou que, pelo tamanho, o tumor existia há cinco anos, então podia esperar mais um mês.

Assustada e apreensiva, eu não parava de pensar no que eu vinha fazendo da minha vida. Busquei apoio psicológico e a terapeuta disse algo que me marcou profundamente “seu corpo está pedindo socorro”. Ela também explicou que, quando temos alguma doença na região do pescoço, pode ser um sinal de grande concentração de energia, de que não estamos falando, externalizando nossos sentimentos.

Então me toquei que meu namoro, assim como o tumor, tinha cinco anos e tudo começou a fazer um certo sentido. Eu precisava enfrentar a doença, mas também SER FORTE para dar fim a uma relação há tempos falida. Precisava reencontrar comigo mesma.

Eu, que sempre fui preocupada com todos e volta e meia me colocava em segundo plano, precisava parar para prestar atenção em mim, me priorizar. A doença me proporcionou uma grande reflexão sobre mim. Passei a ter uma vontade enorme de dar uma nova direção ao meu futuro.

Logo depois da cirurgia, encontrei a FORÇA para terminar o relacionamento e naturalmente fui dando um outro rumo a minha vida e retomando minha essência. Depois do tratamento, dei novos passos: mudei de emprego, fiz novas amizades, vivi novas experiências, fiz um mochilão, encontrei um amor que me admira pelo que eu sou, me mudei… Eu mudei.

A doença teve uma grande representatividade na mudança que eu precisava promover na minha vida, como uma virada de chave. Ela trouxe marcas físicas e emocionais, aprendizados e conquistas que vão seguir comigo para sempre. E depois dessa e outras provações que cruzaram o meu caminho, tenho a certeza de que, mesmo quando a história não termina como esperamos, sempre existe uma razão de ser.

Esse blog é uma bela demonstração de que a jornada da Linda trouxe um propósito. Acompanhei sua luta contra o câncer entre algumas mensagens e encontros e vi a grande guerreira que ela se tornou, sempre confiante e positiva.Vi também o parceiro maravilhoso que o Caio se mostrou. E quando soube do site e das palestras, meu peito se encheu de orgulho desse casal tão lindo, pois como disse lá no comecinho, acredito muito na FORÇA do compartilhamento e, especialmente, do amor.

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