Botando no papel ❤

Em época de Netflix, todos amam ver um bom filme ou série. Eu adoro também ❤

É incrível mergulhar numa história e acompanhar cada capítulo como se estivéssemos dentro dele. Quem nunca adiantou tudo que tinha para fazer durante o dia, só para ganhar alguns minutos a mais, chegar em casa e relaxar vendo sua série favorita, que sempre é a do momento, claro, já que todas nos deixam viciados.

Provavelmente todos já tiveram essa experiência e eu, apesar de gostar bastante, confesso que há muitos e muitos anos tenho uma outra paixão: livros! Nossa, mas eu amo livros! Gosto do cheiro, da textura das páginas e adoro uma capa bonita. Obviamente o essencial é a leitura. Precisa ser boa.

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Não me lembro desde quando desenvolvi esse hábito, mas a verdade é que para mim um livro bom, não dura mais do que uma semana, por que na verdade é como se fosse um filme. Tudo é imaginado dentro da minha cabeça e, nas primeiras linhas minha mente já monta o cenário e escolho os rostos dos personagens. Viajo para outras paisagens…é como se pudesse me teletransportar. Já contei aqui que, inclusive, era uma das ferramentas que usava durante a quimioterapia. Sempre lia algo feliz que me fazia sair daquela sala e me levava a lugares mais bonitos.

Apesar de já estar familiarizada com as mais diversas palavras, jamais pensei que poderia escrevê-las. Nunca pensei em contar a minha história sem ser nas palestras ou no dia a dia mesmo, assim verbalmente e às vezes é difícil colocar no “papel” tudo o que se passou naquela época. Trato de ser fiel às minhas lembranças e sentimentos.

Espero que vocês consigam viajar nesses contos verídicos e apesar dos momentos intensos, vocês possam entrar nesses textos e se emocionar, sentir a felicidade que sentimos pela alegria da cura, a esperança que sempre esteve vívida e que finalmente quando você acabar um “capítulo”, você possa agradecer.

Agradeça pela sua vida que eu sei que apesar dos momentos difíceis, temos mais do que merecemos. Temos ar nos pulmões, temos força mesmo sendo fracos, temos fé e amor… com isso, amigos, podemos chegar ao lugar que quisermos e não só na nossa imaginação, mas na vida real do personagem mais importante: você!!

A gente escreve nossa história a cada dia, por isso, faço sempre o que me faz feliz e não abro mão disso. Tomo algumas decisões que às vezes outros não entendem, mudo de opinião, vou atrás dos meus sonhos, porque vou ser sempre fiel ao que amo. Não me permito fazer nada que não seja por amor, vou fazer o que quiser e ser quem eu quiser ser, porque posso sentir a vida aqui, à flor da pele, sempre sorrindo pra mim. 🙏🏻

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Cabelo cresce!

Quando a gente passa por um tratamento desse tipo, ficamos numa contagem regressiva desde o primeiro dia. Menos uma quimio, menos um dia de enjoo, menos um exame… No final da quimioterapia “branca”, os dias pareciam não passar. Estava ansiosa para finalizar esse ciclo, pois teria um intervalo de mais ou menos um mês, uma espécie de descanso para meu organismo e logo começaria a radioterapia.

Ainda que os dias parecessem eternos, uma esperança crescia, junto há alguns fios que já podia notar na minha cabeça. Eles simbolizavam uma vida nova, cada fio, por mais fininho e claro que surgisse era um novo sopro de vida. Assim como eles, nascia também uma nova Linda, com novos sonhos, com novos ideais e com outras características. Tinha um mundo novo nas mãos e estava preparada desta vez.

O Caio brincava com minha penugem, que crescia nas laterais da cabeça e na nuca, dizia que eu parecia um filhotinho de avestruz. Achava lindo!

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Enquanto me analisava no espelho, me perguntava em como se transformariam meus novos fios. Viriam cacheados, como havia lido em tantas matérias? Ou mudaria de cor, já que pareciam tão clarinhos? Queria poder acelerar o processo, mas a minha paciência estava mais do que treinada. Logo teria uma vasta cabeleira e não importava como ela seria. Conseguiria pentear e passar os dedos entre o cabelo e isso parece corriqueiro, mas naquele momento tinha um valor maior. Significava que eu tinha vencido!

Quando terminamos a última dose do remédio percebi que o crescimento aumentou muito. Logo estava com uma sobrancelha totalmente preenchida e,  como no resto do corpo, parecia que tudo estava florescendo. Assim que a penugem ficou mais uniforme, já saía sem lenço ou peruca. O Caio dizia que parecia uma modelo ou aquelas mulheres budistas que usam o cabelo raspado. Conseguia ver nos seus olhos como me admirava e como me amava ainda mais, tínhamos passado por uma prova e que prova! Mas tínhamos passado com louvor ♥

Sou profundamente agradecida a todos ao meu redor que não me olharam com pena, que não me fizeram sentir mal por estar careca, me faziam sentir linda em toda e qualquer etapa e olha, foram muitas.

Quando finalmente o formato dos fios apareceu, vi que estavam um pouco ondulados, mas tinham ficado mais fortes. Logo adquiri alguns truques para domá-los. Nós mulheres sempre temos alguma estratégia ou jeitinho especial, seja de como jogar a franja, de como secá-los ou como penteá-los. Além deles estarem ondulados eles “cresciam para cima” (sim! Finalmente essa frase faz sentido), parecia a Marge dos Simpsons, rs

Qual foi a minha invenção? Depois do banho, tirava o excesso de água com a toalha e em seguida amarrava um lenço (o tecido era parecido com o de meia calça, tipo um náilon) durante uns 20 minutos e tcharam… Estavam domados!

Após um tempo o cabelo ganhou peso e o caimento veio de maneira natural. Comecei a cuidá-los e hidrata-los sempre. A ondulação foi embora e percebi que gosto mais dessa “leva” do que da anterior. Sério! Muitas pessoas já me falaram que meu cabelo é muito mais bonito hoje do que era durante minha vida inteira.

Esse é mais um fator pra agradecer e comemorar! Até nisso fui abençoada.

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Obs: importante frisar que essas características foram no meu caso, alterações podem ocorrer de acordo com cada caso.
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Não culpe a janela pela paisagem por Laís Vargas

Olá! Meu nome é Laís, trabalho com o Barreto (não consigo chamá-lo de Caio, superem) e conheci a Linda há pouco mais de três anos. Não lembro exatamente quando soube do câncer – se não me engano foi em 2014 – mas recordo o que pensei naquele momento: “ela é especial, o Barreto tem muita sorte”, apenas isso. E hoje estou aqui para contar uma experiência difícil que enfrentei.

Em 2010 meu melhor amigo faleceu. Aos 24 anos, ele nos deixou vítima de uma doença devastadora como o câncer: AIDS. Foi um dos momentos mais difíceis da minha vida. Não conseguia trabalhar bem, atrasei boa parte da minha monografia e fiquei meses sem dormir 8h por dia. Até hoje me pego chorando embaixo do chuveiro sentindo sua falta (e o mesmo acontece enquanto escrevo esse texto).

Segundo a Organização Mundial da Saúde, existem 40 milhões de pessoas infectadas com o vírus HIV e, ao contrário do câncer, a AIDS não tem cura. E essa não é a única diferença entre as duas doenças. Minha mãe é psicanalista e trabalhou em um hospital na Tijuca, onde oferecia assistência psicológica aos familiares com pacientes em fase terminal por conta do câncer e da AIDS. Segundo ela, as famílias com casos de câncer recebiam inúmeras visitas e todos falavam abertamente sobre a doença, ao contrário do HIV, no qual muitos familiares não tinham conhecimento do real motivo pelo qual aquele parente estava ali.

O relato da minha mãe fez com que eu refletisse sobre o fato do meu amigo ter sofrido em silêncio. Uma sociedade que está preparada para criticar e apontar o dedo ao invés de estender a mão e ajudar.

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Quando o Barreto comentou comigo sobre Uma Linda Janela, antes mesmo de seu lançamento, voltei a 2010 em poucos segundos. De acordo com o Ministério da Saúde, a AIDS e alguns tipos de câncer estão entre as 20 doenças que mais matam no Brasil. E se naquele ano existisse uma cura? E se existisse um projeto tão lindo como esse? Será que teria ajudado o meu melhor amigo a entender que muitos passam pela mesma situação e que é possível enfrentar adversidades compartilhando suas experiências?

Uma Linda Janela não é sobre câncer. É um projeto sobre suporte, afeto, experiência, cumplicidade, esperança. Ler os textos do Barreto e da Linda faz com que eu reflita sobre cada uma dessas palavras e veja o outro lado, um lado que vai muito além da doença, das dificuldades e dos devaneios. Nunca vivi de maneira “Pollyanna lifestyle” – que enxerga apenas a metade cheia do copo – mas a história dos dois sempre me faz lembrar que tudo que enfrentamos tem uma razão maior, um aprendizado e a missão de seguir adiante.

O Barreto e a Linda estão espalhando o amor através de uma janela. Você já espalhou um pouquinho de amor na sua janela hoje?

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