O que realmente importa

Minha mãe é uma heroína e com certeza me dá a estrutura para enfrentar qualquer obstáculo. Além da força, mesmo parecendo tão frágil (só parece), ela me dá amor. Amor puro que entra em minha alma e é capaz de me encher de esperança e energia.

Falar sobre câncer ainda a deixa muito desconfortável, ao contrário de mim, que saio contando para todo mundo.

Ela sempre diz que eu assusto as pessoas e que não percebo que ficam impactadas quando abordo com naturalidade alguns procedimentos que tive que fazer ou alguma história ligada a isso.

Falo disso espontaneamente, pois faz parte de mim. Essa é minha história assim como tantas outras que tenho, tristes ou felizes.

Patricia Rojas, minha mãe
Patricia Rojas, minha mãe

Sei que parece óbvio classificar esse período da minha vida como triste, mas dentro dele tive tantos momentos felizes, aprendi tantas coisas e na maioria das vezes me senti tão especial.

Não! Não gostaria de passar por isso de novo, mas já que passei vamos tirar o bom disto 🙂

Quando expus para mais pessoas, numa palestra que fui convidada (e que depois vou contar aqui porque foi muito emocionante), fiquei um pouco nervosa nos dias que a antecederam. Não pelo fato de contar sobre minha doença dessa maneira pela primeira vez, mas sim por querer passar a mensagem correta. Meu objetivo era que as pessoas entendessem que a vida é maravilhosa apesar de tudo. Quando acabei, me senti com a sensação de dever cumprido pelo retorno que tive. Mas só agora, relendo meu último texto postado (veja aqui), pude comprovar que realmente essa maneira de ver a vida já está introduzida em mim.

Acontece que quando estava terminando a palestra percebi um “erro”, pois não tinha contado que não precisei tirar o seio todo e então, acabei contando somente no final em meio a muitas risadas. Na verdade tiraram metade da mama, mas o cirurgião plástico Doutor Diogo Franco, “remontou” o que não foi retirado e fez uma mama nova, redondinha, sem silicone. Só ficou um pouquinho menor do que a outra. Percebi que estava comentando o mesmo “erro” não dando tanta ênfase nesse ponto no meu último relato.

Entendi que apesar disso ser um milagre o qual agradeço, tive muitos outros nesse processo e não me apaguei a isso como fator fundamental da minha gratidão.

Lembro que quando o Caio descobriu, ele procurou o Doutor Augusto por todo o hospital para entender o motivo da mudança de planos. Tivemos até um pouco de desconfiança, pois em nossa ignorância pensávamos que se houvessem tirado o seio a doença não poderia voltar.

Sou muito grata por reconhecer ali, naquele momento, que o que estava em jogo era mais importante do que a vaidade de manter meu peito.

Mulheres vivem sem uma mama, ou sem as duas, ou sem metade e não estou dizendo que seja fácil. Mas essas mulheres…nós, sabemos que mediante o que passamos o mais importante de tudo é que estamos vivas e podendo desfrutar das alegrias da vida, que muitas vezes não são tão pequenas como imaginamos.

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Família

Hoje é dia de frasquinho novo! Caso não tenha entendido a expressão, leia aqui nosso primeiro post.

Compartilhar, compartilhar, compartilhar.

Um dos filmes que eu e Linda mais gostamos chama-se “Into the Wild” ou “Na Natureza Selvagem”, não vou aqui contar como é, até para não estragar caso alguém queira vê-lo. É baseado em uma história real e se tornou bastante conhecido também por uma frase do personagem principal que diz que: “A felicidade só é real quando compartilhada”.

Aliás, gosto tanto da frase que já a citei em um momento bem marcante da minha vida que será descrito mais pra frente, além de ter um quadro do filme em casa.

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Sendo algo bom, nos satisfazemos também com a alegria do próximo que torce por nós, deixando aquele momento ainda mais especial.

Porém, isso vale a meu ver para a outra face da realidade. Quando temos uma adversidade, dividir com os outros é também diluir o peso e até repensar sobre o fato.

Minha família estava ciente e acompanhando os passos a respeito da situação da Linda. Quando tive a confirmação do diagnóstico fui contar à minha mãe e depois aos demais (irmã, cunhado, avó, tios, primas).

A reação deles foi a melhor possível: ficaram preocupados com a situação, claro, mas se mostraram confiantes e disponíveis para ajudar no que fosse preciso.

Soube que alguns choraram muito ao saber da notícia. Um pouco depois, tomei conhecimento também que meu tio e minha avó já haviam combinado inclusive de cada um dar uma quantia referente ao que precisasse do tratamento. E não medindo esforços.

Eu que me considero prático e, por vezes nessas situações, até mais contido, me emocionei muito ao me dar conta de todo o apoio que estava recebendo. A Linda é muito querida por eles, nós já namorávamos há 2 anos, mas percebi e fui descobrindo várias ajudas que já foram dadas para outros, até desconhecidos. Dar conta disso foi um dos presentes que esse período me trouxe.

Citei apenas uma situação, mas tiveram várias ao longo do processo que vão ser contadas aqui.

Compartilhar com a família e os mais próximos dá impulso para seguir em frente. Sempre haverá os que vão surpreender positivamente, oferecer uma palavra de incentivo ou um momento de alegria.

O sentimento de que uma causa sua é também do outro, é muito reconfortante e posso dizer que, em casa, esse tema virou uma causa que todos sentiram poder ajudar de alguma forma.

É bom? Compartilhe! Vai ser difícil? Compartilhe!

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“A verdadeira felicidade está na própria casa, entre as alegrias da família.”

Leon Tolstoi, escritor russo.

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Água com açúcar

Olá! Sim, dessa vez sou eu e fico muito feliz de compartilhar essa experiência aqui. A Linda é realmente uma mulher incrível e a história dela só corrobora esse nome/adjetivo que seus pais lhe deram ao nascer.

Parece engraçado, talvez até meio egoísta, mas um dos momentos que mais me lembro de tudo o que vivemos era o gosto daquele copo de água com açúcar que nos deram logo após a notícia. Não lembro se já tinha experimentado, fato é que estava muito bom.

Enquanto a Linda e a Patrícia, minha sogra, estavam ainda tristes e meio perplexas, eu só conseguia sentir o doce sabor naquele copo. Óbvio que sabia o que estava acontecendo, porém de certa forma me concentrei no que havia de bom naquele momento específico e isso que ficou marcado pra mim.

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Imagine alguém que você ama ou considera muito passando por uma dificuldade grande. O que você faz? Parece óbvia a resposta de ajudar como puder, se colocar à disposição, certo? Pois é, pra mim também não é diferente.

Vou aproveitar pra então fazer um desabafo. De certa forma, me incomodou e incomoda até hoje as pessoas exaltarem o fato de estar junto e apoiar a Linda nesse período. O que mais me impressiona é quando dizem ser raro algo que deveria ser regra e não exceção.

Não, isso não deve ser encarado como algo fora do comum, melhor do que o usual. As pessoas, todas elas, passam por adversidades em diferentes esferas ao longo de suas vidas e nós nos conectamos com algumas por escolhas: amigos, parceiros de trabalho e de amor. É normal esperar desses relacionamentos um suporte nas horas desses obstáculos.

Então, não há motivo pra enaltecer o companheirismo. Sim, sei que o câncer pode mexer com a auto estima, especialmente das mulheres, e isso pra mim é mais um motivo para aqueles que gostam e tem consideração serem o suporte.

Entendi, depois daquela água com açúcar, que a mulher que amava ia passar por uma prova. Difícil, grande, porém superável. Aliás, muito superável.

Entendi que a responsabilidade da solução era também minha.

Entendi que não estaria encarando a parte mais complicada, portanto não haveria motivo para lamentar.

Entendi que aquela era mais uma missão pra cumprir.

Entendi que faria tudo que estivesse a meu alcance pra proporcionar o melhor pra ela durante aquele período, sempre sendo responsável e consciente dos passos dados.

Entendi e entendo ainda hoje, que faria tudo de novo, assim como ela e outras pessoas próximas, fariam por mim.

Hoje é um dia especial, aniversário da Linda. Por isso deixo aqui o parabéns pelo dia, pela postura e tudo que ela representa de bom pra mim e para os outros. Temos muito o que comemorar!

Parabéns, meu amor!
Parabéns, meu amor!

 

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